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O Brasil de hoje precisa de um JK?

Cl√°udio de Oliveira - Janeiro 2018
 

Juscelino Kubitschek presidiu o Brasil de 1956 a 1960. Ele foi um político ponderado que uniu o país em torno de um plano de modernização da economia e de fortalecimento da democracia.

Ele era do PSD, um partido de velhas raposas. Uma vez na Presid√™ncia, prestigiou a ala mo√ßa do seu partido, de jovens que queriam a renova√ß√£o pol√≠tica. Conseguiu emplacar na presid√™ncia da C√Ęmara um deles, de apenas 40 anos: Ulysses Guimar√£es.

O seu vice-presidente era tamb√©m um jovem, Jo√£o Goulart, ent√£o com 36 anos. Jango era do PTB, partido de centro-esquerda, e havia sido ministro do Trabalho do presidente Get√ļlio Vargas, de 1953 a 1954.

JK respeitou os espaços políticos do PTB. Dialogou com os sindicatos e o salário-mínimo alcançou o maior poder de compra da história. Segundo o Dieese, em 1959 o mínimo chegou ao equivalente a R$ 1,7 mil, em valores de 2011.

Na sua elei√ß√£o em 1955, JK recebeu o apoio do maior partido da esquerda da √©poca, o ilegal PCB. Em plena guerra fria, prometeu n√£o perseguir os comunistas. O secret√°rio-geral do partido, Luiz Carlos Prestes, deixou a clandestinidade e integrou-se √† vida p√ļblica.

Outro importante partido da esquerda de ent√£o, o PSB, havia apoiado o candidato advers√°rio, Juarez T√°vora, da UDN, de centro-direita. Mesmo assim, JK manteve um bom di√°logo com os socialistas.

E tamb√©m com o PDC, um partido de centro aliado da UDN. Conseguiu o apoio dos democratas-crist√£os gra√ßas ao di√°logo com um jovem deputado de 39 anos, Franco Montoro. Ao lado de outros jovens, como Pl√≠nio de Arruda Sampaio, Montoro formou a Vanguarda Democr√°tica do PDC, que queria p√īr em pr√°tica a doutrina social da Igreja Cat√≥lica.

Apesar de ter reunido amplo apoio no Congresso, JK não tentou esmagar a oposição. Dialogou com a UDN e conseguiu diminuir a radicalização política, cujo ápice havia levado ao suicídio de Vargas, em 1954.

Em 1956, a UNE liderou uma onda de protestos contra o aumento da passagem do bonde. JK negociou o fim das manifesta√ß√Ķes diretamente com o presidente da entidade, o estudante Carlos Veloso de Oliveira. O governo de JK ainda enfrentou duas revoltas militares, resolvidas pelo entendimento e n√£o pela confronta√ß√£o.

Ele compreendeu bem a conjuntura mundial e inseriu o Brasil na economia internacional. Trouxe para c√° importantes empresas internacionais que, aliadas aos setores p√ļblico e privado nacionais, foram alavancas importantes para o desenvolvimento. E quando foi preciso, endureceu o jogo, ao recusar as condi√ß√Ķes do FMI para um empr√©stimo ao pa√≠s.

O Brasil n√£o precisa de quem quer transformar a pol√≠tica numa guerra fratricida de torcidas organizadas. Os presidentes que apostaram na radicaliza√ß√£o n√£o resolveram os problemas da Na√ß√£o, antes contribu√≠ram para levar o pa√≠s a crises pol√≠ticas, econ√īmicas e sociais, bem como para agrav√°-las.

O pr√≥ximo presidente da Rep√ļblica a ser eleito em 2018 pode ser um centrista como JK, mas n√£o necessariamente. Pode tamb√©m ser algu√©m da centro-esquerda ou da esquerda moderada. O que importa √© que seja capaz de negociar um amplo consenso em torno de um programa de aperfei√ßoamento das institui√ß√Ķes democr√°ticas e de crescimento econ√īmico com justi√ßa social.

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Cláudio de Oliveira é jornalista e cartunista

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Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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