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Julius Martov e a Revolução Russa

Cl√°udio de Oliveira - Outubro 2017
 

Julius Martov foi uma das mais proeminentes personagens da Revolu√ß√£o Russa de 1917. L√≠der dos internacionalistas, fac√ß√£o de esquerda dos mencheviques, ele se op√īs √† participa√ß√£o dos socialistas nos governos provis√≥rios ap√≥s a Revolu√ß√£o de Mar√ßo e a abdica√ß√£o do czar Nicolau II [1]. Foi tamb√©m contr√°rio √† perman√™ncia da R√ļssia na I Guerra Mundial. A continuidade no conflito agravou a crise econ√īmica do pa√≠s e a insatisfa√ß√£o popular abriu caminho para a Revolu√ß√£o de Novembro, quando ent√£o os bolcheviques tomaram o poder, liderados por Vladimir Lenin [2].¬†

No dia 8 de novembro, dia seguinte √† insurrei√ß√£o, durante o 2¬ļ Congresso dos Sovietes - os conselhos de representantes de oper√°rios, camponeses, soldados e marinheiros - Martov prop√īs a forma√ß√£o de um governo de uni√£o de todas as correntes do socialismo russo para evitar que o pa√≠s mergulhasse no caos. Para desespero de Martov, a maioria dos mencheviques e socialistas revolucion√°rios se retirou do encontro em protesto contra o levante. O gesto dificultou a negocia√ß√£o apoiada por l√≠deres bolcheviques como Grigori Zinoviev e Lev Kamenev. No entanto, a resposta da maioria bolchevique √† proposta veio de Leon Trotski:

As massas populares seguiram nosso estandarte e nossa insurrei√ß√£o √© vitoriosa. E agora nos dizem: Renunciem √† vit√≥ria, fa√ßam concess√Ķes, cedam. A quem? Eu pergunto: a estes grupos deplor√°veis que nos abandonaram ou a quem apresenta tal proposta? [...] Ningu√©m na R√ļssia continua ao lado deles. Um acordo s√≥ pode ser firmado entre partes iguais [...]. Mas aqui n√£o h√° acordo poss√≠vel. √Äqueles que nos deixaram e √†queles que nos aconselham a transigir, respondemos: Voc√™s s√£o corruptos miser√°veis, sua fun√ß√£o acabou; v√£o para onde devem ir - para a lata de lixo da hist√≥ria.

Martov ent√£o se concentrou nas elei√ß√Ķes para a Assembleia Constituinte, realizadas no final daquele m√™s. Por√©m, os mencheviques obtiveram uma vota√ß√£o de apenas 3%. Contrariando a arrog√Ęncia e o sectarismo de Trotski, os vencedores foram os socialistas revolucion√°rios, com 40% dos votos, ao suplantarem os 24% dados aos bolcheviques [3]. Os liberais do Partido Constitucional Democrata obtiveram 5% dos votos. Em minoria e com ajuda de soldados que participaram da insurrei√ß√£o, os bolcheviques fecharam a Constituinte.

Iniciada a guerra civil, Martov apoiou o Ex√©rcito Vermelho contra a interven√ß√£o estrangeira e o Ex√©rcito Branco, comandado por generais monarquistas. Apesar do apoio ao governo sovi√©tico no combate √† contrarrevolu√ß√£o, o l√≠der menchevique foi um cr√≠tico contundente da repress√£o generalizada, opondo-se ao fechamento de jornais liberais e √†s persegui√ß√Ķes aos partidos que faziam oposi√ß√£o pac√≠fica. As posi√ß√Ķes de Martov indicavam a possibilidade de uma alternativa democr√°tica e socialista tanto ao √ļltimo governo provis√≥rio - liderado pelo trudovique Alexander Kerensky -, quanto √† ditadura comunista que se seguiu [4]. A bibliografia sobre Martov em portugu√™s √© quase inexistente. Ap√≥s o fim da Uni√£o Sovi√©tica, em 1991, foram publicados v√°rios livros revalorizando o papel de Martov na Revolu√ß√£o Russa. Por√©m, a obra fundamental sobre ele foi publicada ainda em 1967 pela Editora da Universidade de Cambridge, do Reino Unido, em coedi√ß√£o com a Universidade de Melbourne, da Austr√°lia. Intitulada Martov ¬Ė A Political Biography of a Russian Social Democrat, √© de autoria de Israel Getzler (1920-2012), professor da Universidade de Jerusal√©m, e continua in√©dita no Brasil.

A quest√£o democr√°tica

A obra de Getzler traz as pol√™micas entre Martov e Lenin, como a de 1903, durante o 2¬ļ Congresso do Partido Oper√°rio Social-Democrata Russo (POSDR), sobre a organiza√ß√£o do partido: se dirigido por um comit√™ centralizado, mas aberto √† filia√ß√£o de todos os que aderissem ao seu programa, como defendido por Martov, ou se por um c√≠rculo composto exclusivamente de revolucion√°rios profissionais, como queria Lenin. A proposta vencedora foi a de Martov. O livro relata a a√ß√£o posterior de Lenin para alcan√ßar a maioria, pois, mesmo vencendo no Congresso, Martov e seus partid√°rios ficaram em minoria no Comit√™ Central, o que causou a divis√£o do POSDR em duas alas: mencheviques (partid√°rios da minoria, em russo) e bolcheviques (partid√°rios da maioria).

A discuss√£o sobre a forma de organiza√ß√£o partid√°ria revelava duas quest√Ķes de fundo que marcar√£o todas as diverg√™ncias entre Martov e Lenin: a avalia√ß√£o que faziam do n√≠vel de desenvolvimento econ√īmico da R√ļssia e a concep√ß√£o de cada um sobre o Estado e a democracia. Lenin acreditava que o capitalismo estava suficientemente desenvolvido para uma revolu√ß√£o socialista e defendia um governo forte e centralizado - a ditadura do proletariado. Martov avaliava que o pa√≠s n√£o estava suficientemente industrializado, possu√≠a um operariado pequeno e uma grande massa de camponeses analfabetos. Propunha uma estrat√©gia democr√°tica e reformista, como j√° praticada por socialistas franceses e alem√£es.

Tais diferen√ßas ficar√£o profundamente marcadas com a chegada dos bolcheviques ao poder, quando os conceitos de democracia e ditadura do proletariado ser√£o alvos de controv√©rsias entre Lenin, Martov e Karl Kautsky, influente te√≥rico do Partido Social-Democrata Alem√£o. Para estes dois √ļltimos, a democracia era um valor intr√≠nseco ao ide√°rio socialista. Para Lenin, apenas uma formalidade. A vis√£o leninista justificou a dissolu√ß√£o da Constituinte e a repress√£o a todos os advers√°rios, dos liberais aos socialistas, como Martov.

Outra pol√™mica se estabeleceu a partir de 1914, com o in√≠cio da I Guerra Mundial e o colapso da II Internacional, a organiza√ß√£o que congregava os partidos socialistas europeus, dissolvida em 1916. V√°rios daqueles partidos tomaram posi√ß√Ķes nacionalistas em apoio ao esfor√ßo de guerra de seus respectivos pa√≠ses, enquanto outros se opuseram ao conflito. O mais influente de todos eles, o Partido Social-Democrata Alem√£o, votou pelos cr√©ditos de guerra, alegando que o Imp√©rio Alem√£o se defendia das agress√Ķes do Imp√©rio Russo. Mencheviques como Georgi Plekhanov, um dos introdutores do marxismo na R√ļssia, tamb√©m tomaram posi√ß√£o nacionalista, acreditando que a derrota da Alemanha seria a vit√≥ria da Inglaterra e da Fran√ßa e, assim, dos valores democr√°ticos.

No entanto, Martov formou uma ala do POSDR contra a guerra, passando a sua fac√ß√£o a ser denominada de internacionalista. Dessa vez, Martov e Lenin ficaram ao mesmo lado, ao considerarem o conflito uma disputa entre as pot√™ncias europeias, estranha aos interesses dos trabalhadores. Mas havia uma diferen√ßa: enquanto Lenin propunha transformar a guerra imperialista em guerra civil do operariado contra as classes dominantes, Martov defendia uma proposta pacifista de armist√≠cio imediato, sem anexa√ß√Ķes e repara√ß√Ķes.

A aproxima√ß√£o entre mencheviques e bolcheviques levou a uma tentativa de reunifica√ß√£o do POSDR, desejada por Martov. Afinal, ele havia iniciado sua milit√Ęncia ao lado de Lenin, ambos com pouco mais de 20 anos de idade, quando juntos fundaram, em 1895, a Liga de Luta pela Emancipa√ß√£o da Classe Oper√°ria de S√£o Petersburgo, iniciando uma amizade e admira√ß√£o m√ļtua. A Liga criou as bases para que ambos participassem da organiza√ß√£o do POSDR, em 1898. Estiveram juntos na reda√ß√£o do Iskra (centelha), o jornal do partido, e compartilharam o ex√≠lio na Sib√©ria e em v√°rios pa√≠ses da Europa ocidental. Mas a uni√£o entre as duas alas n√£o prosperou, para desapontamento de Martov, retratado na biografia como sentimental, indeciso, incapaz de deslealdades: o oposto de Lenin. De moral e √©tica r√≠gidas para os padr√Ķes bolcheviques, Martov pediu a expuls√£o de militantes envolvidos em roubos a bancos para financiar a atividade partid√°ria. Em 1918, denunciou publicamente Josef Stalin pela participa√ß√£o em um assalto, em 1907, na capital da Ge√≥rgia, Tbilisi, em a√ß√£o desastrosa que teria deixado v√°rios mortos.

Depois da Revolu√ß√£o de Novembro, Martov conquistou a maioria no Comit√™ Central do POSDR, em oposi√ß√£o √† ala direita do partido, representada por Fyodor Dan, Pavel Akselrod e Irakli Tsereteli. Em 1919, os mencheviques haviam resolvido aceitar o governo sovi√©tico, adiar a batalha pela convoca√ß√£o da Constituinte, protestar contra o esvaziamento dos poderes dos sovietes e lutar para transform√°-los em √≥rg√£o de poder democr√°tico e parlamentar. Apesar de ent√£o se opor √† contrarrevolu√ß√£o, o partido menchevique sofreu a repress√£o dos bolcheviques, alternando momentos de legalidade, proscri√ß√£o e semiclandestinidade, at√© ser definitivamente banido em 1921, ao defender as reivindica√ß√Ķes da revolta dos marinheiros bolcheviques do Kronstadt. O jornal menchevique Avante foi fechado v√°rias vezes. O pr√≥prio Martov ficou em pris√£o domiciliar por cinco dias, e s√≥ teria escapado da repress√£o da Tcheka, a pol√≠cia secreta que antecedeu¬†a KGB, por prote√ß√£o de Lenin. Na ocasi√£o da proscri√ß√£o do POSDR, Martov estava na Alemanha para tratamento de sa√ļde.

Inspiração para a NEP

Com a desilus√£o de muitos oper√°rios ap√≥s o fracasso econ√īmico do comunismo de guerra, per√≠odo no qual todos os setores da economia foram estatizados e o Estado monopolizou a compra da produ√ß√£o agr√≠cola e imp√īs baixos pre√ßos aos produtores, causando desabastecimento e fome, os mencheviques conseguiram alguns √™xitos nas elei√ß√Ķes dos sovietes locais. No in√≠cio de 1920, apresentaram o nome de Martov para a elei√ß√£o ao soviete de Moscou, e, para confrontar o l√≠der menchevique, os bolcheviques apresentaram a candidatura de Lenin. Durante uma vota√ß√£o entre oper√°rios em uma f√°brica de produtos qu√≠micos, Martov obteve 76 votos contra oito dados a Lenin.

A a√ß√£o de Martov e de seus partid√°rios n√£o foi apenas cr√≠tica, como tamb√©m propositiva. Em julho de 1919, em meio √† guerra civil e √† grave crise econ√īmica, os mencheviques apresentaram um programa econ√īmico alternativo ao comunismo de guerra. Defenderam um regime de economia mista, no qual o setor estatal deveria conviver com o setor privado. Segundo o programa, somente setores fundamentais da grande ind√ļstria deveriam ser nacionalizados. Defenderam que os camponeses deveriam decidir livremente sobre produ√ß√£o e pre√ßos e o Estado deveria negociar acordos com cooperativas para o abastecimento das cidades, entre outras medidas. Geztler sugere que tal programa serviu de base para que Lenin formulasse, em fevereiro de 1921, a Nova Pol√≠tica Econ√īmica, a NEP, em substitui√ß√£o ao comunismo de guerra, ent√£o motivo de greves e protestos.

Com a NEP, v√°rias proposi√ß√Ķes dos mencheviques foram adotadas e medidas de mercado foram introduzidas na combalida economia sovi√©tica, inclusive a permiss√£o ao investimento estrangeiro. Apesar da oposi√ß√£o da esquerda bolchevique, encabe√ßada por Trotski, Lenin conseguiu aprovar a NEP e a defendeu como um capitalismo de Estado, necess√°rio para recuperar a economia e fazer uma transi√ß√£o ao socialismo. O plano come√ßou a tirar o pa√≠s da crise e teve o apoio de Nikolai Bukharin, um economista bolchevique que gradualmente passou de posi√ß√Ķes pol√≠ticas radicais para moderadas. Ap√≥s o afastamento de Lenin por motivo de sa√ļde, na segunda metade de 1921, Bukharin se tornou o principal defensor da NEP e fez oposi√ß√£o ao plano de industrializa√ß√£o acelerada e coletiviza√ß√£o for√ßada lan√ßado por Stalin em 1928. Bukharin foi fuzilado nos expurgos na d√©cada de 1930.

A terceira via

Em 1920, Martov foi autorizado a deixar a R√ļssia para tratamento de sa√ļde na Alemanha e participar da conven√ß√£o do Partido Independente Social-Democrata Alem√£o (cuja sigla em alem√£o era USPD), na cidade de Halle. Naquele ano, o USPD havia sido o segundo partido mais votado, com 17,9% dos votos, abaixo apenas do governante Partido Social-Democrata, o SPD, que conquistara 21,7%. Martov fora convidado pelos moderados do USPD para convencer os socialistas alem√£es a n√£o aderirem √† Internacional Comunista (IC), a III Internacional, criada em 1919 por Lenin, e que estimulou os radicais dos partidos socialistas a fundarem os partidos comunistas. Para fazer o contradit√≥rio com Martov, a ala esquerda do USPD convidou o presidente da IC, Grigori Zinoviev. Com a sa√ļde abalada e a voz fraca, Martov n√£o conseguiu terminar o seu discurso, lido ent√£o por um dos presentes. A proposta de ades√£o √† IC ganhou o apoio de 236 contra 150 dos convencionais e a ala esquerda aderiu ao PC alem√£o. Por√©m, tr√™s quartos da bancada de 81 deputados permaneceram no USPD.

Como resultado da interven√ß√£o de Martov, o USPD se articulou com o Partido Social-Democrata Oper√°rio da √Āustria e outros para fundarem, em janeiro de 1921, a Uni√£o de Partidos Socialistas para a A√ß√£o Internacional, conhecida tamb√©m como a Internacional de Viena ou a Internacional Dois e Meio, que buscou uma via intermedi√°ria entre o comunismo da III Internacional e a social-democracia da II Internacional. Martov fez parte da dire√ß√£o da Internacional de Viena ao lado de l√≠deres social-democratas da √Āustria, como Otto Bauer. Chamados de austromarxistas, o programa de reformas sociais e econ√īmicas dos social-democratas austr√≠acos influenciar√° posteriormente na constitui√ß√£o do Estado do Bem-Estar Social nos pa√≠ses escandinavos. E tamb√©m inspirar√°, na d√©cada de 1970, Enrico Berlinguer, secret√°rio-geral do PC italiano, a formular o eurocomunismo, com o qual reconhece a democracia como valor universal e oficializa o rompimento dos comunistas italianos com o modelo sovi√©tico. A Internacional de Viena existiu at√© 1923, quando se fundiu √† II Internacional, reorganizada em 1920, para criar a Internacional Oper√°ria e Socialista.

Martov morreu na Alemanha em abril de 1923, meses antes de completar 50 anos de idade, v√≠tima de tuberculose. Em 1922, Lenin havia sofrido um primeiro acidente vascular cerebral. Afastado do poder, agora sob o mando de Stalin, paralisado do lado esquerdo e com dificuldades de falar, Lenin teria tentado se reconciliar com Martov. Em cadeira de rodas, costumava apontar para livros de Martov em sua estante e pedia que um motorista o levasse at√© ele. Geztler cita Reminisc√™ncias de Lenin, livro de mem√≥rias de Nadezhda Krupskaya, mulher do fundador da Uni√£o Sovi√©tica, para descrever o abatimento dele ao receber a not√≠cia da gravidade da doen√ßa do antigo amigo e camarada: "Vladimir Ilyich estava seriamente doente quando me falou certa vez com muita tristeza: ¬ĎDizem que Martov est√° morrendo tamb√©m¬í". Lenin morreu em janeiro de 1924 aos 53 anos, menos de um ano depois de Martov.

No Brasil, a inexist√™ncia de obras de e sobre Martov contrasta com a profus√£o de biografias e de livros de autoria de Lenin, sustentando a persist√™ncia da influ√™ncia do leninismo em parcelas expressivas da esquerda brasileira. Num momento em que setores esquerdistas na Am√©rica Latina flertam com solu√ß√Ķes autorit√°rias, o resgate de Martov e de suas ideias democr√°ticas talvez fosse √ļtil ao debate p√ļblico.

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Cláudio de Oliveira é jornalista e cartunista.

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Notas

[1] Mencheviques - ala moderada do Partido Oper√°rio Social-Democrata Russo, banido em 1921.

[2] Bolcheviques - ala radical do Partido Oper√°rio Social-Democrata Russo, que a partir de 1918 denominou-se Partido Comunista.

[3] Partido Socialista Revolucionário - banido durante a guerra civil. A ala direita foi acusada de apoiar o Exército Branco. A ala esquerda, inicialmente participou do governo soviético, porém foi excluída ao se opor ao Tratado de Brest-Litovsky, de paz com a Alemanha.

[4] Trudovique - membro do Partido Trabalhista, dissidência do Partido Socialista Revolucionário, surgido em 1905 e desintegrado após a Revolução de Novembro.

Bibliografia consultada

FIGES, Orlando. A tragédia de um povo. A Revolução Russa 1891-1924. Rio de Janeiro: Record, 1999.

Getzler, Israel. Martov ¬Ė A Political Biography of a Russian Social Democrat. Cambridge Univesity Press/ Melbourne University Press, 2003.

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Sobre a Revolução Russa

O fechamento da Constituinte na R√ļssia de 1918
1917
Revolu√ß√£o Russa ¬Ė da esperan√ßa √† trag√©dia
O desvio autorit√°rio de uma ideia
A Veja e a Revolução Russa de 1917
O comunismo histórico em perspectiva global
O plano menchevique e a NEP de Lenin
Legados do comunismo? Nacionalismo e Estado autorit√°rio



Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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