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Esquerda democr√°tica e esquerda autorit√°ria

Cl√°udio de Oliveira - Agosto 2017
 


Sempre existiu uma esquerda que observou os princípios democráticos: prevalência da maioria, respeito à minoria, pluripartidarismo, livre manifestação do pensamento, autonomia da sociedade civil (sindicatos, etc.) ante o Estado, direito de greve para os trabalhadores.

Esta esquerda democr√°tica n√£o expropriou os propriet√°rios, mas taxou a riqueza e a distribuiu atrav√©s de pol√≠ticas sociais. Como regime econ√īmico, estabeleceu uma economia mista, de conviv√™ncia entre os setores estatal e privado, sob coordena√ß√£o governamental.

O seu exemplo clássico é a Suécia, governada pelo Partido Social-Democrata desde 1932, com alguns intervalos. O ápice do Estado de Bem-Estar Social sueco foi durante os governos de Olof Palme; na Alemanha, durante os governos dos social-democratas Willy Brandt e Helmut Schmidt.

Curiosamente, na Itália, foram os comunistas que se estabeleceram como esquerda democrática. O PCI foi um dos fortes pilares da democracia italiana do pós-guerra, liderado por políticos da estatura de Palmiro Togliatti e Enrico Berlinguer.

Esquerda autorit√°ria

E sempre existiu uma esquerda autorit√°ria, que estabeleceu regimes de partido √ļnico, reprimiu violentamente qualquer oposi√ß√£o, de direita ou de esquerda, suprimiu a liberdade de opini√£o, subordinou a sociedade civil (sindicatos, etc.) ao partido e ao Estado.

Seu exemplo clássico foi a União Soviética, especialmente no período de Josef Stalin. Os seu sucessores ideológicos esmagaram tentativas de democratização, como a Primavera de Praga, de Alexander Dubcek, e a Glasnost, de Mikhail Gorbachev.

O autoritário modelo soviético serviu de inspiração para a China de Mao Tsé-Tung e a Cuba de Fidel Castro.

Na América Latina, a esquerda autoritária parece ter ainda grande influência.

√Č lament√°vel que setores expressivos no PT e Psol se solidarizem com o regime da Venezuela, que teima em n√£o reconhecer o Congresso de maioria oposicionista, democraticamente eleito, persegue os advers√°rios e restringe as liberdades civis. Al√©m disso, instituiu uma Constituinte que n√£o respeitou o sufr√°gio universal e agora destituiu a procuradora-geral da Rep√ļblica. Mais uma experi√™ncia de esquerda autorit√°ria, justificada com os argumentos de sempre.

Espero que setores do PT e do Psol, bem como o PDT, partido brasileiro filiado √† Internacional Socialista, o PSB, nascido em 1947 sob o lema de socialismo e liberdade, o PPS, a alma democr√°tica do antigo PCB, e novas express√Ķes do campo da esquerda, como o PV e a Rede Sustentabilidade, se coloquem claramente em defesa de valores democr√°ticos.

Nestes tempos em que a extrema-direita come√ßa a ganhar express√£o pol√≠tica de alguma relev√Ęncia, o Brasil precisa n√£o s√≥ da afirma√ß√£o de uma centro-direita e de um centro democr√°ticos e civilizados, como tamb√©m de uma esquerda democr√°tica, fiadora dos princ√≠pios do Estado de Direito.

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Cl√°udio de Oliveira, jornalista e cartunista.

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Fonte: Especial para Gramsci e o Brasil.

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