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Todos s√£o mesmo iguais?

L√ļcio Fl√°vio Pinto - Junho 2017
 

Servi√ßo secreto, de intelig√™ncia ou policial espionar cidad√£os do pa√≠s para atender interesse de uma autoridade, principalmente se √© a maior do pa√≠s, n√£o √© apenas crime: √© um ato que deve ser imediatamente condenado por todos, em defesa da democracia. Mas por que um ministro do Supremo Tribunal Federal n√£o pode ser convocado para depor numa comiss√£o parlamentar de inqu√©rito ou em qualquer inst√Ęncia institucionalmente sancionada?

Se o presidente Michel Temer mandou espionar o ministro Edson Fachin para se vingar dele, merece mais uma den√ļncia, um processo e uma condena√ß√£o. Temer negou que tenha encomendado esse servi√ßo sujo √† Abin. A presidente do STF, C√°rmen L√ļcia, aceitou a negativa. Disse que nada mais tem a fazer. A n√£o ser que surjam provas mais fortes do destempero de Temer do que as fornecidas pela revista Veja.

Mas quantos cidad√£os n√£o gostariam de receber uma explica√ß√£o mais detalhada e convincente sobre a estranha dela√ß√£o premiada da gangue da JBS, liderada por Joesley Batista, proposta pelo procurador geral da rep√ļblica, Rodrigo Janot, e aceita pelo relator da Lava-Jato no Supremo? Ficou um gosto travo da vers√£o oficial da hist√≥ria, cheia de buracos, retic√™ncias e sombras. Afinal, se todos os megadelatores foram presos, a despeito das preciosas informa√ß√Ķes que forneceram, por que Joesley aparece quase como o comandante de todo o processo, a ponto de ainda especular na bolsa, remeter previamente seu iate e seguir, depois, para os Estados Unidos, autorizado por Fachin a por l√° estabelecer o seu domic√≠lio residencial?

Se foi um absurdo Temer receber Joesley na resid√™ncia oficial, na calada da noite, tratando com ele de temas furtivos, sujos ou il√≠citos, o que se deve dizer do procurador e do ministro aprovarem a escuta clandestina do presidente da rep√ļblica, a compra por corrup√ß√£o de 1,8 mil pol√≠ticos e toda sorte de crimes sem, pelo menos, mandar colocar tornozeleira eletr√īnica no bandido, o mesmo que foi a Temer e de l√° saiu vitorioso, ou reter o seu passaporte?

A Lava-Jato já chegou a políticos, burocratas, empresários e a imprensa. Agora cerca um vilão ainda invisível, o sistema financeiro. Sera que só a justiça é imaculada?

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L√ļcio Fl√°vio Pinto √© o editor do Jornal Pessoal, de Bel√©m, e do blog Amaz√īnia hoje ¬Ė a nova col√īnia mundial. Entre outros, √© autor de O jornalismo na linha de tiro (2006), Contra o poder. 20 anos de Jornal Pessoal: uma paix√£o amaz√īnica (2007), Mem√≥ria do cotidiano (2008) e A agress√£o (imprensa e viol√™ncia na Amaz√īnia) (2008).

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Fonte: Jornal Pessoal & Gramsci e o Brasil.

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